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O crowdfunding (em Portugal) como estratégia de financiamento para start-ups: O exemplo da Orange Bird, PPL

O crowdfunding, ou financiamento colaborativo, consiste em angariar apoios monetários de várias pessoas que partilham os mesmos interesses para financiar uma iniciativa. É uma prática antiga mas que ganhou novas possibilidades com o advento da internet e redes sociais: estas permitem um alcance global.

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O exemplo que é citado como pioneiro de esta nova forma de angariar fundos é o financiamento da tournée americana da banda inglesa Marillion, no final dos anos 90, que não teria sido possível sem o apoio de milhares de fãs que partilhavam a mesma ambição de poder ver os músicos ao vivo.

Esta ferramenta tem sido usada para financiar projetos nos mais variados domínios, como causas sociais, projetos culturais e iniciativas empreendedoras, sendo que um dos princípios do crowdfunding é oferecer algum tipo de retorno aos apoiantes. No caso das campanhas financiadas em sites como o PPL ou o Kickstarter os apoiantes recebem contrapartidas em género, como produtos e experiências exclusivas. Têm no entanto surgido novos modelos que permitem oferecer retorno financeiro aos investidores e financiar a atividade de PME.

Não existe um modelo específico para quem quer financiar uma startup. A escolha da plataforma e modelo dependerá essencialmente do produto ou serviço que a nova empresa pretende desenvolver. Em sites como o PPL, que seguem o modelo de recompensas, as startups de maior sucesso são aquelas que apresentam um produto destinado ao consumidor final (B2C).

Um exemplo que ilustra bem as vantagens de uma campanha de crowdfunding para o lançamento de um novo produto é o caso da Infinite Book (infinitebook.pt). Quando o Pedro Lopes ideou um “quadro branco portátil”, criou uma campanha de crowdfunding (http://ppl.com.pt/pt/prj/ecobook) para financiar a primeira produção do caderno. Mais do que o financiamento, o fundador conseguiu realizar uma pré-venda de mais de 100 exemplares. Permitiu-lhe testar a sua capacidade de transmitir a ideia e treinar o pitch, medir o interesse do mercado e ajustar o preço do produto (acabou por acrescentar um caderno para cada uma das contrapartidas). Uma vez terminada a campanha, o empreendedor tinha o capital disponível para começar a produzir o caderno e uma comunidade de entusiastas da ideia para a testar e avaliar. Hoje em dia, o caderno está disponível em lojas da FNAC, na Amazon e em diversas papelarias.

Uma boa campanha de crowdfunding requer uma preparação minuciosa. É essencial identificar os canais mais eficientes para divulgar a campanha junto do público-alvo pretendido e traçar um plano de comunicação de maneira a maximizar o alcance e manter o interesse na campanha. Publicar uma campanha e ficar de braços cruzados à espera do entusiasmo do público é o erro mais comum, pelo que a gestão de uma campanha de crowdfunding é um excelente teste de resiliência do empreendedor e da equipa. O orçamento é igualmente importante para identificar todos os custos que o lançamento do produto implica, desde os materiais, a mão-de-obra, as ações de marketing, as comissões das plataformas e o envio das recompensas. Angariar demasiado pouco pode comprometer o projeto e defraudar os apoiantes. Estimar um orçamento demasiado elevado também diminui as possibilidades de sucesso, uma vez que o crowdfunding normalmente segue a filosofia do “tudo ou nada”: caso a campanha não consiga angariar 100% ou mais do objetivo, os apoios serão devolvidos.

Em Portugal, o PPL é o principal site de crowdfunding de recompensas e permitiu o financiamento de quase 700 iniciativas, graças a quase dois milhões de euros em apoios de mais de 55 mil pessoas desde 2011. Face a outros sites de crowdfunding, o PPL tem vantagens para o mercado lusófono por ser bilingue e apresentar meios de pagamento aos quais os portugueses estão habituados, como o pagamento de serviços mediante uma referência multibanco e o mais recente MBWAY.

Uma campanha de crowdfunding, quando devidamente planeada e executada, pode ser uma excelente estratégia para uma empresa angariar o capital necessário para começar a produzir um produto e simultaneamente validar a ideia junto do mercado. É uma ferramenta muito utilizada por empresas nascentes mas não só. Algumas empresas como a Sony ou General Electric têm recorrido a crowdfunding para testar o interesse de novos produtos.

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