Usar as riquezas do mar para proveito de todos

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por Filipa Godinho

Cada vez são mais as empresas que se vem destacando devido ao uso que fazem dos recursos que o mar tem para oferecer. A Sealgae (marca de cosmética natural) e a Bio Boards (criadores de pranchas de surf e skate) são dois exemplos disso.

A Sealgae é uma empresa de cosmética natural em franco crescimento que combina extratos bioativos de algas ibéricas com agradáveis aromas e texturas. Os seus produtos, desenvolvidos pelos Laboratórios da Lusalgae, uma start-up de biotecnologia (criada por Tiago Morais, Loïc de Carvalho e João Cotas), tem propriedades hidratantes, relaxantes e adelgaçantes que trazem ao consumidor a mais elevada qualidade do mar português diretamente para a sua pele.

“Desenvolvemos produtos de base biotecnológica, de que é exemplo a gama Sealgae. Constituída por um gel, uma máscara corporal de argila verde, sais de banho e um creme hidratante não gorduroso, esta gama foi desenvolvida selecionando criteriosamente as algas que integrariam as formulações pelas suas composições bioativas”, explica um dos responsáveis pela marca de cosmética feminina.

“O mercado cosmético é um mercado com algumas particularidades. É um mercado de entrada extremamente difícil, em que o consumidor português desconfia bastante de marcas novas e/ou nacionais. Mas apesar de tudo, demonstrada a qualidade e mais-valia do produto, consegue-se entrar neste mercado”. Desde que este projeto foi lançado, os seus criadores já ganharam inúmeros concursos de inovação.

Os produtos da Sealgae utilizam o conceito da talassoterapia ou terapia à base de elementos marinhos, mais precisamente algas que podem ser encontradas ao longo da costa portuguesa. Os cosméticos desta marca hidratam, protegem e repõem os sais minerais que a pele vai perdendo ao longo do dia. Tudo isto é feito de uma forma saudável, sem expor o seu corpo a agentes não naturais ou testados em animais.

Também ligada à economia do mar está a Bio Boards, com oficina na UPTEC MAR (Polo do Mar do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto). O conceito da marca nasceu em 2013, quando Ricardo Marques foi estudar Engenharia do Ambiente no Rio de Janeiro e tomou conhecimento com a forte cultura surfista e de skaters existente no Brasil. Sendo um surfista e skateboarder desde criança, aliou a estas paixões a sua componente educativa de Engenharia do Ambiente e, quando regressou a Portugal, decidiu criar um skate em materiais amigos do ambiente.

Depois da criação deste primeiro projeto juntou-se a Diogo Oliveira, Filipa Ferreira, Márcio Borgonovo dos Santos e José Costa para criarem a Bio Boards, empresa que desenvolve e comercializa produtos inovadores para desportos mais “radicais”.

Em 2014, a lenda do skate Tony Hawk experimentou e comprou 2 protótipos funcionais. Para além de produzirem um produto com um mínimo de impacto ambiental, a Bio Boards transmite uma mensagem de boas práticas ambientais e cultiva um estilo de vida mais saudável.

“O projeto nasceu com recurso a capitais próprios e até ao momento não recebemos nenhum investimento externo. Hoje em dia trabalhamos com uma escala de produção de pequenas quantidades fruto de não possuirmos condições financeiras para entrar com força no mercado”, explica Ricardo Marques.

“O grande objetivo dos skates da Bio Boards é possibilitar a prática de surf em qualquer lugar e em qualquer altura, não dependendo da proximidade à costa e das condições do mar. Os skates Bio Boards aliam a sua componente ecológica a um design exclusivo e a um inovador sistema de três rodas, duas atrás e uma à frente”, conta Ricardo Marques, o criador desta marca que apresenta pranchas com um sistema de três rodas, duas atrás e uma à frente ou um truck frontal de apenas uma roda que possui 360 graus de liberdade, o que permite que se aprenda e melhore na prática do surf mesmo que esteja fora de água.

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