Growroom: Horta urbana ao estilo IKEA

Será possível reinventar o conceito de horta urbana e torná-lo mais prático para a vida citadina? O Space10, laboratório para sustentabilidade do grupo IKEA, acredita que sim e valeu-se do contributo de dois arquitetos.

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O resultado é uma espécie de móvel IKEA aplicado à agricultura urbana: design arrojado, dividido em peças para montar no interior ou exterior. Sob o nome Growroom, esta solução ambiciona fazer a diferença ambiental nas cidades.

“O Growroom é uma exploração artística do potencial incrível da agricultura urbana”, começa por explicar o Space10. O desafio foi criar uma solução de produção agrícola em pequena escala, que se adequasse às cidades. Ou seja, mais do que replicar o conceito de horta em talhões de terra, o Space10 colocou esforços numa alternativa criada de raiz para o ambiente urbano.

© Niklas Adrian Vindelev

O resultado foi uma esfera de madeira formada por múltiplas prateleiras, ao longo de 2,8 x 2,5 metros, concebida pelos arquitetos Mads-Ulrik Husum e Sine Lindholm – e com o apoio do designer de interação Thomas Sandahl Christensen e do jardineiro Sebastian Dragelykke. Em toda a estrutura, é possível cultivar vegetais, ervas aromáticas e plantas comestíveis. Além da vertente prática da microprodução agrícola, a peça causa impacto pela dimensão vertical e pelo design original.

Apesar de poder causar estranheza à primeira vista, o pavilhão esférico foi pensado ao pormenor para as funções de suporte à agricultura urbana. Em primeiro lugar, pelo tamanho. Ao invés de canteiros horizontais, a estrutura foi desenhada na vertical para se adaptar à realidade das cidades, reduzindo, assim, o espaço ocupado. Além disso, a distância entre prateleiras e o formato de esfera asseguram doses adequadas de luz solar e água para todos os espaços de cultivo.

Para o Space10, o Growroom tem o potencial de ser um “pequeno oásis” a romper a correria das cidades. Mais do que o produto em si, a estrutura esférica foi apresentada como um incentivo “ao debate sobre como podemos trazer a natureza de volta às cidades, produzir a nossa própria comida e responder à procura crescente por mais comida no futuro”. Através desta solução, o laboratório quer incentivar o cultivo local de alimentos. As vantagens são económicas, mas sobretudo ambientais, já que a produção local evita a pesada pegada carbónica do transporte de alimentos para as grandes cidades.

Para contribuir para este objetivo ambiental, o laboratório do IKEA foi mais longe: todo o conceito Growroom é open source, para que cada pessoa possa construir a sua própria esfera de agricultura urbana. Em suma, esta solução não é vendida, nem está disponível em nenhuma loja.

© AlonaVibe

Para poder ter o seu próprio Growroom, terá sempre de recorrer a tecnologias de fabricação digital. O website do Space10 disponibiliza os ficheiros para equipamentos CNC (fresadora), com os moldes que serão cortados em contraplacado. O mais fácil, recomenda o Space10, é recorrer aos recursos e experiência de um fablab (abreviatura de Fabrication Laboratory, laboratório de fabricação digital) perto da sua área de residência, com os ficheiros do Growroom.

Em Portugal, existem 15 fablabs ativos, segundo a Associação Fablabs Portugal, em localizações como Lisboa, Porto, Coimbra, Santarém, Bragança, Évora, Guarda ou Fundão, por exemplo. Nestes espaços, poderá cortar os vários componentes do Growroom e depois proceder à sua montagem, já no local permanente onde a estrutura ficará instalada. A tarefa aparenta ser árdua, mas os responsáveis garantem que o design da peça torna a instalação “fácil e intuitiva para todos”. Para ajudar, o Space10 oferece também um manual de montagem dos vários elementos. Depois, basta dedicar-se a juntar as peças do puzzle, como numa peça de mobília do IKEA.

O Space10 foi lançado pelo grupo Inter IKEA em 2015, em Copenhaga (Dinamarca). Além da componente de investigação em design, o espaço tem também uma área de exposição. O propósito das duas vertentes é comum: explorar as possibilidades do design em prol de novas soluções e modelos de negócio sustentáveis e responsáveis, para um futuro melhor.

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