Med Summit 2017

Indústria 4.0: aprendizagem ao longo da vida

As ameaças são, muitas vezes, as derradeiras oportunidades para as mudanças que já se sabe serem necessárias mas que ainda não se assumiram como prioritárias.

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É este o caso da 4ª Revolução Industrial – Indústria 4.0 – que traz consigo o prenúncio do desaparecimento de inúmeros postos de trabalho e o surgimento de novas profissões que não se conseguem ainda antever.

Apesar de ser considerado uma ameaça, este novo futuro (do qual muito se falará, este ano, no evento Futurália) pode bem ser uma oportunidade de se servir de pedra de toque que faltava para que, por toda a Europa, se institua o verdadeiro paradigma da aprendizagem ao longo da vida, cujos contornos são estudados desde o ano 2000.

Desde essa data que se considera que a Aprendizagem deve ser encarada num contínuo, ao longo da vida, e em todos as dinâmicas de intervenção. Esta premissa tem como corolário sermos capazes de a perspetivar desde o nascimento até à morte e nos mais variados contextos da nossa existência. A Aprendizagem deixa de ser exclusiva dos ambientes escolares (alargando-se aos contextos profissionais e sociais) e acompanha todas as etapas e transições que indivíduo terá de enfrentar (da escola para a vida profissional, nos momentos de reconversão profissional e na transição da vida ativa para a fase de reforma). Além disso, tem em conta a noção de competência, ou seja, dos saberes aplicados à ação, para uma plena intervenção na vida, e deve centrar-se no indivíduo, nas suas necessidades, expetativas, interesses e vivências.

Nada disto é novo, mas, na verdade, os sistemas de educação e formação (não só o português mas também do resto da Europa) estão ainda num estágio muito embrionário de implementação deste paradigma. De um modo geral, têm investido fortemente na educação das crianças e dos jovens, relativizando a importância da Aprendizagem quando os sujeitos atingem o patamar de escolaridade mínimo. A educação de adultos, por seu turno, tende a surgir para colmatar défices de qualificação de quem não atingiu, na idade jovem, o ensino secundário (surgindo aqui como segunda oportunidade) e pouco responde às situações de requalificação dos que alcançaram níveis mais elevados de qualificação. Trata-se essencialmente de garantir uma qualificação inicial (quer na idade jovem, quer na idade adulta).

As competências que são provenientes de aprendizagens realizadas fora dos contextos escolares ou não são tidas em conta ou são-no, apenas nalguns Estados (nesta matéria Portugal é tido como exemplo a seguir), e em determinados contextos afetos à educação e formação de adultos. Noutros segmentos, ainda não existe este reconhecimento, pelo que, independentemente das experiências de vida dos jovens, todos são levados a realizar os mesmos trajetos escolares.

As aprendizagens também deveriam ser significativas e relevantes, centradas nos sujeitos e alinhadas com possibilidades concretas de potenciação dos talentos individuais. Todavia, só muito recentemente, e em resultado do desemprego gerado pela grave crise económica, os Estados tomaram consciência da necessidade de efetivarem uma coordenação interligada entre os domínios da educação e do emprego, envolvendo as empresas como parceiros determinantes para o redesenho dos currículos e para a identificação de necessidades de qualificação alinhadas com as competências mais requeridas e absorvíveis pelo mercado de trabalho.

Neste quadro, os cenários que se prospetivam para o futuro (caracterizados pelo domínio da tecnologia, da robótica, da eletrónica e da comunicação, com redução da necessidade da presença humana) podem bem ser, ao contrário do cenário que se anuncia, o surgimento de uma nova e feliz era para a educação e formação, pautada pela aprendizagem “à medida” e ao serviço dos cidadãos, considerando-os como seres singulares, num todo coletivo, atravessando todas as etapas das suas vidas. Ao instituirmos, em pleno, o que está contido no conceito de aprendizagem ao longo da vida, estaremos a garantir que os nossos sistemas de educação e formação passam de “uma educação para o emprego” para uma “educação para a empregabilidade” e do ajuste a “empregos seguros” para “carreiras seguras” (ou seja, sem interrupções, apesar das mudanças que os indivíduos, indiscutivelmente, terão de enfrentar).

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