Sabemos que a transformação digital se apresenta a uma escala global, razão pela qual a i9 magazine decidiu recolher algumas perspetivas destes dois especialistas internacionais.

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Sabemos que a transformação digital se apresenta a uma escala global, razão pela qual a i9 magazine decidiu recolher algumas perspetivas destes dois especialistas internacionais.

O contacto com Brian Solis decorreu por ocasião do Digital Enterprise Show (DES) 2016. Realizado pela primeira vez em maio deste ano, em Madrid, o DES deu a conhecer produtos e soluções que ajudam as empresas e a administração pública em geral a participar na transformação digital.

No evento estiveram representadas diversas áreas de negócio relacionadas com o que definem ser os sete pilares da transformação digital: cloud, mobile, big data & analytics, social business, cibersegurança, Internet of Things (IoT) e postos de trabalho.

Por seu turno, tivemos oportunidade de ter o contributo de Emanuelle Quintarelli em junho, altura em que participou na BPM Conference – Competitividade na Era da Transformação Digital, que se realizou em Lisboa. O orador apresentou uma sessão intitulada “O Futuro é Colaborativo”.

Brian Solis admitiu-nos que “a revolução digital está a acontecer há décadas e continuará a mudar a forma como trabalhamos, aprendemos, comunicamos e nos interligamos. As maiores tendências que tenho acompanhado incluem uma incrível variedade de tecnologias disruptivas, tais como realidade aumentada, realidade virtual, inteligência artificial, machine learning, veículos autónomos, IoT, impressão 3D, wearables, entre outros”.

Já Emanuelle Quintarelli sugere que as empresas, em vez de irem atrás destes novos pressupostos digitais, “regressem às origens, ao básico”. Diz para os empresários esquecerem a “construção de uma estratégia digital e perguntarem se a sua estratégia de negócio ainda se encaixa num mundo digital. Devem colocar de parte, pelo menos por um segundo, sensores e IoT para ponderar que papel pode a sua empresa desempenhar numa cadeia multi-valor ou transformar-se numa plataforma facilitadora” Acrescenta ainda que “mais do que aplicar a tecnologia mais recente ou aprender as buzzwords mais recentes, a revolução digital é uma revolução de pessoas e de negócios, cujo potencial é relativo consoante os resultados transformadores que organizações serão capazes de apresentar aos seus clientes, empregados, parceiros e acionistas”.

Quando confrontados com o facto de as pessoas serem seguidores ou revolucionários digitais, Brian Solis afirma que “os consumidores digitais são revolucionários por defeito. Refiro-me a este fenómeno como “darwinismo” digital. À medida que a tecnologia evolui, o mesmo acontece na sociedade. Simplesmente, através da forma como as pessoas adotam e usam a tecnologia, esta altera a forma como tudo funciona. Aí existem os verdadeiros revolucionários, aqueles que desenham tecnologias futura e influenciam as tendências do mercado”.

Quintarelli recorda que quando começou a ajudar as organizações a caminharem para a digitalização, esperava ver uma reviravolta rápida em termos de comportamentos, modelos de negócio e cultura. Tal ocorreu há dez anos e afirma que “muitas empresas ainda têm dificuldades em compreender quais são os motivadores de negócio, definir qual o caminho a seguir e construir novas capacidades introduzindo novos KPIs (Key Performance Indicators)”. O responsável da EY aprendeu que tanto as organizações como os seres humanos têm um ritmo próprio de mudança. “Ninguém, consultores ou chefes, é capaz de forçar este novo caminho para milhares ou centenas de milhares de empregados. E isso é bom. Como seres humanos, somos intrinsecamente avessos ao risco e estamos habituados à nossa zona de conforto. O mesmo acontece numa empresa. Isto significa que um número de ingredientes devem ser postos em prática para que as organizações vejam a nova realidade, aceitem e ajam sobre ela. Apostaria que acabámos de ver menos de 10% da transformação que ainda temos pela frente”.

Para 2017, ambos os peritos destacam a inteligência artificial como a tendência que mais vai emergir. Quintarelli fala ainda na adoção generalizada de aplicações de mensagens e de chatbots (programas de computador que tentam simular um ser humano na conversação com as pessoas). Brian Sollis salienta também que “vamos ver as fintech com um impacto no setor financeiro entre as organizações empresariais e não apenas nas start-ups. Em geral, iremos assistir a um avanço mais abrangente das empresas devido aos esforços de transformação digital”.

Sem grande conhecimento da realidade nacional, Emanuelle Quintarelli não se pronunciou sobre as empresas portuguesas. Já Solis referiu que esteve uma vez em Lisboa e durante esse período conheceu várias start-ups nacionais. Ressalva, porém que “todas as empresas podem ser mais agressivas na sua busca para competir na economia digital. E esta realidade aplica-se às empresas de todo o mundo”.

Brian Solis deu um último contributo ao revelar qual o segredo para que um novo produto tenha sucesso nesta nova era digital. Declara que “toda a gente fala em três coisas: consciencialização, adoção e tração. Mas o mais importante é que um produto deve acrescentar valor, mais do que realizar tarefas existentes ou rotinas eficientes e escaláveis. Os produtos precisam ir mais além da interação. É preciso pensar em inovação, fazer coisas novas que criem novos valores”.

Um futuro colaborativo é a grande aposta de Emanuelle Quintarelli porque “as montagens complexas, a fluidez, a incerteza e a orientação para o cliente pressionam tudo o que o mercado está a experimentar e tal não pode ser resolvido através da tecnologia ou da automação por si só”. “Em vez de adicionar ou reforçar processos e estruturas, o mercado está a exigir adaptabilidade” e para uma empresa prosperar numa mudança constante precisa de ser uma organização mais fluída”.

Termina dizendo que “mesmo a transformação digital (ou pior, a digitalização) é hoje em dia tão genérica que é difícil explicar o que está a acontecer dentro das organizações e nas relações que se constroem com os funcionários, clientes e outras partes interessadas”. Na sua perspetiva, “o futuro é simultaneamente uma ideia de uma empresa mais eficiente e centrada nos humanos que utiliza os canais digitais e as plataformas como facilitadores”. Assim, o resultado final de tal transformação não é por si só digital, mas antes um mundo melhor com resultados importantes para os indivíduos e para a sociedade em geral”.

Brian Solis

captura-de-ecra-2016-09-23-as-14-34-53Como analista principal da Altimeter, empresa do grupo Prophet, dedica-se a estudar o efeito das tecnologias diruptivas nas empresas e na sociedade.

Além de ser um orador exímio, Brian Solis é antropólogo, futurista e um autor premiado. O seu último livro, “X”, explora a interseção que ocorre quando os negócios se aliam ao design no sentido de criar experiências envolventes e significativas.

What’s the Future of Business? (Qual o futuro dos negócios?) e Engange! (Envolver!) são os títulos de outras obras da sua autoria.

Na era da transformação digital, Brian Solis goza de uma posição privilegiada, sendo reconhecido mundialmente como um líder preponderante.

O seu blog é frequentemente apontado como uma referência na área de marketing e negócios em todo o mundo. Também apresenta uma série de vídeos online – Revolution – na qual testa tecnologias, revela tendências e as melhores práticas.

Emanuelle Quintarelli

captura-de-ecra-2016-09-23-as-14-35-02Trabalha como Social Business and Future of Work Lead no Centro Consultivo Digital da EY, um dos quatro maiores players do mercado de serviços profissionais do mundo. Apesar de sediado em Roma, este espaço centra-se em toda a região EMEIA (Europa, Médio Oriente, Índia e África).

Estratega, program manager, consultor e blogger de referência sobre a adoção de abordagens colaborativas nas grandes empresas, com o intuito de aumentar a produtividade, eficiência e capacidade de reação às mudanças do mercado e potencial de inovação.

Coautor de vários livros, publica regularmente artigos sobre gestão da mudança, cultivo de comunidades, empresas 2.0 e estratégias de CRM social em revistas profissionais italianas.

É convidado como orador em vários eventos, mas também lançou o Netwo.it (o primeiro hub web 2.0 para start-ups de Itália), a Conferência de Arquitetura Italiana, o Fórum Internacional sobre Empresas 2.0, o Fórum de Empreendedorismo Social, entre outros.

// www.briansolis.com

// www.socialenterprise.it

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