Novas Tecnologias e Relações Sociais: Um Caso de AMOR?

Com o aparecimento de novas tecnologias, apareceram também novas formas de interação interpessoal. Isto estende-se desde o conhecimento até à manutenção de amizades ou de relações amorosas.

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À exceção dos casos em que um encontro com uma pessoa desconhecida é facilitado através de amigos comuns, quando uma pessoa se sente atraída por outra pode querer conhecê-la melhor. A nossa investigação sugere que esta vontade de querer tomar o primeiro passo está associada à ideia de que temos atitudes e valores semelhantes à outra pessoa. Contudo, e não obstante os sinais não verbais que podem ser trocados (p.e., troca de olhares prolongada), há sempre um grau de incerteza acerca de como a outra pessoa poderá reagir após serem trocadas as primeiras palavras (p.e., tom de voz) e a primeira conversa (p.e., dizer uma piada). A isto está, naturalmente, associada a possibilidade de rejeição pela outra pessoa. É precisamente associado a esta ideia de rejeição que a criação e utilização massificada de plataformas de online dating ajudou a ultrapassar. Se o perfil de um utilizador nos chama a atenção, e se decidirmos enviar uma primeira mensagem, o que de pior pode acontecer? Não ter uma resposta? Ter a resposta de que não há interesse? Isto é provavelmente menos prejudicial para o nosso ego do que uma rejeição cara-a-cara, depois de trocarmos uns quantos olhares e flirts com outra pessoa.

A massificação de plataformas de interação social permitiu, também, que as pessoas se aproximem dos seus amigos. Isto significa que conseguimos, através destas plataformas, ter mais contacto e um contacto mais continuado com os nossos amigos. Conseguimos partilhar interesses, ter novos amigos, ter discussões saudáveis com a inclusão de diferentes pontos de vista, ou mesmo conhecer amigos dos nossos amigos e alargar a nossa rede social. Conseguimos inclusivamente reestabelecer o contacto com pessoas que não víamos há alguns anos (p.e., desde o tempo da escola). Tudo isto permite partilhas socias com pessoas de quem gostamos, o que por sua vez cria afeto positivo e a sensação de pertença social a um grupo. Sem esta tecnologia facilitadora, tal seria mais complicado e limitado. Basta (alguns de nós) pensarmos nas nossas relações e interações que mantínhamos há alguns anos atrás, onde não existiam telemóveis nem internet!

Também nas relações amorosas, o desenvolvimento das novas tecnologias tem tido um papel fulcral. Por um lado, e à semelhança do que acontece com os nossos amigos, as plataformas de interação social permitem que tenhamos um contacto continuado com o nosso parceiro. E isto leva a que nos sintamos acompanhados ao longo do dia. Aqui importa, também, salientar que estas novas tecnologias permitiram o desenvolvimento de formas de comunicação únicas com o parceiro. Há coisa melhor do que receber uma mensagem a meio do dia simplesmente a dizer “Amo-te”, ou “Tenho saudades tuas”? Da mesma forma, parceiros que habitualmente usam emoji nas suas comunicações (i.e., as caras/bonecos que estão tão na moda atualmente) podem fazer uso dos mesmos para reforçarem o que querem dizer. A nossa investigação mostra que usar uma cara triste pode mesmo ajudar a resolver um problema menor numa relação, porque é percebido como um sinal de preocupação por parte do parceiro que o usa. Mas tenha cuidado, porque a utilização do mesmo emoji quando o problema é mais grave é percebido como uma desvalorização do problema e pode ter o efeito oposto!

Quando se pensa no impacto destas plataformas para as relações amorosas, fica imediatamente saliente a questão da infidelidade. Contudo, a nossa investigação tem demonstrado que, apesar de algumas pessoas serem mais propensas a ter sexo casual, se se sentem altamente comprometidas com o seu parceiro e com a sua relação, há menor probabilidade de terem sexo causal. Isto é bastante importante no decorrer do que se falou sobre a comunicação entre parceiros, porque precisamente uma das formas de melhorar o compromisso amoroso é ter uma comunicação positiva e de qualidade com o parceiro. Mas mais importante ainda do que esta questão é o facto destas plataformas, em alguns casos, facilitarem a exploração do desejo e de novas experiências sexuais. É exatamente esta a perspetiva de um dos nossos estudos em colaboração com o Second Love. Com uma amostra de pessoas numa relação monogâmica ou numa relação sexualmente aberta (i.e., acordo de que ambos os parceiros podiam ter sexo casual com outras pessoas), verificámos que estas últimas indicaram sentir-se mais satisfeitas na sua relação. Ao contrário da ideia de que casais não monogâmicos têm problemas na sua relação, pessoas em relações não monogâmicas dizer ter liberdade para explorar a sua vida sexual, o que por sua vez aumenta a sua satisfação. Em consequência do acordo entre os parceiros, sexo casual não é visto como infidelidade e não tem impacto negativo na relação amorosa.

Claro que o desenvolvimento de novas tecnologias tem, também, o seu revés negativo ao nível das interações sociais. Fenómenos como os conflitos na relação amorosa não podem ser descurados quando pensamos nesta questão. Contudo, pretendi aqui não focar estes aspetos menos positivos, mas sim fazer uma reflexão de como a tecnologia mudou as relações sociais e ajuda a difundir o AMOR, tão necessário e importante para a nossa vida.

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