O papel do arquiteto na edificação de cidades inteligentes

O arquiteto é um elemento fundamental na conceção de cidades inteligentes. O que são ‘Cidades Inteligentes’? Qual é, afinal de contas, o papel da tecnologia na construção destas? A tecnologia desempenha um papel crucial na construção de cidades a diversos níveis: desde a forma como os carros, sinais de trânsito e peões comunicam entre si, até à sinalização para peões (em passadeiras, por exemplo) até à própria sustentabilidade da Cidade através da adoção de novos sistemas de iluminação que tenham como prioridade a poupança energética e ambiental, entre outros.

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A tecnologia está, hoje em dia, no centro das novas malhas urbanas e tem forte impacto na forma como nós vivemos as cidades e nos sentimos nelas. Se há dez anos atrás o desafio passava pela construção de amplos espaços verdes que proporcionassem a felicidade por via do contacto com a natureza, atualmente, a realidade é diferente. Com isto não afirmamos que isto tenha deixado de ser uma prioridade – o caso de Lisboa é um exemplo desta afirmação graças à política “Uma praça em cada bairro” que está a ser levada a cabo pelo atual executivo – mas há novas e mais desafiantes prioridades.

As novas tecnologias vieram abrir novos campos de desenvolvimento das malhas urbanas. As inovações são diferentes e provêm de campos tão diferentes como a iluminação artificial (que agora graças ao LED é mais amigável à noite, aumenta a segurança dos peões e dos automobilistas e constitui-se como grandes poupanças ambientais) até ao desafio da comunicação dos carros com os restantes elementos: Smartphones, Sinalização luminosa ou vertical de tráfego automóvel até aos desafios que a condução autónoma traz associados. Todos estes novos desafios, associados aos novos modelos colaborativos nas cidades ou de comunicação, são proporcionados pela tecnologia. O que representa a tecnologia – e as ‘Cidades Inteligentes’ – para setores tão tradicionais como a Engenharia, Arquitetura, Construção ou Imobiliário?

As ‘Cidades Inteligentes’ são neste momento – talvez – o maior desafio para os setores da construção, engenharia, arquitetura e imobiliário. Como fazemos que uma cidade seja inteligente? Essa é a primeira pergunta e que tem levado diversos municípios, um pouco por todo o mundo, a pensar em formas que destaquem as suas cidades (e malhas urbanas) das ‘concorrentes’. Mas como isto é possível? Podemos reformar toda uma malha urbana de uma vez? Quais são, normalmente, os custos associados? Há diversos exemplos de modernização de cidades: desde o caso Lisboeta da adaptação cada vez maior da iluminação pública a um sistema de LED que pode ser já visto em funcionamento no ‘eixo central’ da cidade até à transformação de cabines telefónicas em pontos Wi-Fi gratuitos como é o caso de Nova Iorque. Esta cidade foi também considerada, em 2016, a cidade mais inteligente do mundo.

Para um arquiteto conseguir desenvolver uma malha urbana – ou um edifício inteligente – deve, em primeiro lugar, assegurar que conhece não apenas as tendências da arquitetura mas de tudo o que envolve o seu projeto. Desde a sustentabilidade até à integração da tecnologia. Conceitos como ‘Domótica’, ‘Internet das Coisas (IoT)’ ou ‘IFTT – If This Then That’ não podem ser, de todo, desconhecidos de qualquer arquiteto.

É aqui que os ‘arquitetos do futuro’ devem surgir e demonstrar que conhecer materiais e técnicas de construção não define um bom arquiteto. Um bom arquiteto deve ser não só capaz de entender o Cliente mas tudo à sua volta e deve assumir um papel de consultor e conselheiro não só durante a fase de concetualização mas também durante a fase do projeto de execução. O arquiteto deve conhecer as mais recentes tendências e ser capaz de explicar ao Cliente como determinada tecnologia pode ajudar
o projeto a tornar-se mais sustentável até ajudar os transeuntes – todas as pessoas que passam ou habitam as cidades – a estarem mais seguras através da integração de novas tecnologias.

O que possibilita a construção de uma ‘Cidade do Futuro’?

Não há, a nosso ver, uma fórmula mágica porque depende diretamente das pessoas que estão à frente de cada município e do projeto. Para construir uma ‘Cidade do Futuro’ é necessário em primeiro lugar haver pessoas visionárias que estejam à frente dos municípios e entendam que a tecnologia não se destina apenas ao consumo doméstico e integra o nosso dia-a-dia impactando, diretamente, a forma como vivemos e habitamos os locais públicos.

Em segundo lugar, e não menos importante, acreditamos que para desenvolver um projeto inovador é necessário conhecer toda a envolvente do projeto a que nos comprometemos a criar. Necessitamos de saber qual o nível de ‘conectividade’ de uma cidade e qual o nível médio de adoção de novas tecnologias dos habitantes e turistas naquele ponto pois irá condicionar não só a utilização da urbanização a ser edificada como da própria cidade. A sua cidade já está preparada para a nova geração do urbanismo?

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