Med Summit 2017

Portugal, um ‘smart country’?

Fomos ao encontro de um operador inovador e revolucionário na área das TI para obtermos a visão mais tecnológica da definição de uma smart city.

Acredita Portugal

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Com este propósito “em mãos”, perguntámos a Eduardo Vieitas qual seria a chave para Portugal se tornar num país inteligente, isto é, num smart country. De forma muito concreta respondeu-nos que o país (e os seus cidadãos, diremos nós) precisa “criar uma atitude de inovação que seja transversal à sociedade e se consolide como uma cultura”.

A própria IT People Innovation está já a trabalhar com esse fim, uma vez que ajuda “diretamente na transformação dos espaços das cidades, permitindo a visualização e interação de objetos reais com elementos digitais. Esta transformação da relação do utilizador com o espaço permite que atividades como o turismo, gestão imobiliária, publicidade, eventos ou até mesmo solidariedade social e cidadania, se alterem. Este poder renovado de cada utilizador vai alterar de forma disruptiva a nossa relação com as cidades e com os equipamentos públicos”.

Parafraseando Alberto Caeiro: “sou do tamanho do que vejo, e não do tamanho da minha altura”, o responsável da IT People Innovation defende que a RA tem a grande virtude de se “relacionar diretamente com outras disciplinas para potenciar a sua ação – ao integrar Inteligência Artificial ou IoT, aumentamos ainda mais o número de possibilidades de conhecimento e de visualização que cada utilizador pode beneficiar. E isso é valor. Acredito que a longo prazo, essa será a tendência mais representativa – integração”.

Atendendo a que uma smart city engloba em si mesma uma multiplicidade de características, como saúde, comércio, mobilidade, redes, energia, economia e governação inteligentes, além de dados abertos e outras valências, Eduardo Vieitas sublinha que todas elas são relevantes e que, apesar de termos iniciativas de referência no país em todas estas áreas, “a dinâmica do smart tourism pode ter uma importância adicional, dado que claramente Portugal tem fortes competências nesta área, em que podemos vir a ser pioneiros a nível europeu e mundial”. O responsável acrescenta que a própria empresa tem apostado neste setor e “a prova mais recente desta estratégia foi o primeiro prémio no Santa Casa Challenge [que receberam] com a app VisitAR, que permite a todos os visitantes realizar percursos na cidade com hologramas e experiências de Realidade Aumentada”.

A partir do momento que uma cidade inteligente pretende que tudo e todos estejam conectados, surge um novo problema que se prende com o grande volume de dados gerado por cada equipamento interligado. Como resposta, o CEO acredita que o “mercado irá resolver essa questão com o aparecimento e vulgarização de mais soluções de Big Data. Neste sentido, apostámos igualmente numa start-up chamada TSCG, com uma tecnologia de Realidade Aumentada para Big Data, que revoluciona a forma de vivermos uma experiência dessas, com o reconhecimento e processamento massivo de imagens duma cidade, por exemplo”.

Sem querer nomear uma cidade portuguesa que esteja a afirmar-se claramente como exemplo nas lógicas de smart cities, Eduardo afirma que o governo deve continuar a promover e a auxiliar as empresas e municípios para desenvolverem estes serviços, constatando que “os cidadãos estão claramente disponíveis e com vontade de avançar neste sentido”.

Eduardo Vieitas assinala que a medida da inovação passa por “estar sempre a inovar” e “continuamente melhorar e encontrar melhores formas de resolver problemas antigos”, máximas que o guiam no crescimento da própria IT People Innovation. Daí que a empresa tenha sido a primeira organização nacional a ter uma aplicação disponível (em português) na loja dos Hololens – os óculos da Microsoft. O ARchitect “permite visitar edifícios que ainda não existem – como Hospitais, Escolas, etc. Já imaginou a possibilidade de votarmos nas ações dum orçamento participativo vendo e visitando os edifícios e equipamentos que ainda não foram construídos? É um outro nível de cidadania”, conclui o responsável que indicou a aposta contínua da empresa em novos interfaces para os óculos Hololens. Como nota final, Eduardo Vieitas confessa que viajar é um dos seus hobbies, “sempre que possível na companhia de um guia em Realidade Aumentada”.

Eduardo Vieitas

Fundador e CEO da IT People Innovation, Eduardo Vieitas gere uma empresa portuguesa que se dedica a oferecer serviços de consultoria em Tecnologias de Informação (TI) num regime de outsourcing e soluções de inovação para os mais diversos setores. Usa tecnologia de Realidade Aumentada (RA) e a sua plataforma, a Next Reality. O desempenho de funções de Marketing e Gestão numa das maiores organizações de TI deu-lhe um background importante para a atual liderança de um negócio com elevado crescimento.

Inovar é…

Criar algo antes de todos para os problemas de sempre.

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