Português lidera cientistas internacionais

Existência de circulação de vento entre o equador e os polos contribuiu para explicar a super rotação do planeta Vénus.

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Um grupo de cientistas internacionais liderado por um português identificou a existência de circulação de vento entre o equador e os polos, em Vénus, o que contribuiu para explicar a super rotação deste planeta.

Pedro Machado, líder da equipa, disse hoje à Lusa que “os nossos resultados mostram, sem sombra de dúvida, que existe realmente uma célula de Hadley, uma circulação meridional entre a zona equatorial e cerca de 60 graus de latitude norte, e outra célula simétrica no hemisfério sul”.

Acrescenta ainda que o resultado do trabalho publicado na revista “lcarus” aponta para a existência, “como os modelos previam (…) de somente uma célula em cada hemisfério, em vez das três que existem na Terra, por exemplo”.

“Termos a evidência de que existe realmente esta circulação é muito importante para tentar compreender algo que tem sido um ‘puzzle’ há décadas, que é o fenómeno da super rotação da atmosfera de Vénus”, diz o cientista.

“Existe um ramo desta circulação meridional abaixo da camada de nuvens de ar mais frio, que já entregou a sua energia em excesso nas altas latitudes, e regressa ao equador, fechando a célula”, resume.

“É crucial para compreender a super rotação porque não se percebia como é que havia energia suficiente nas altas latitudes, onde recebe menos quantidade de radiação solar, para acelerar as partículas e para ter ventos”.

Vénus roda muito devagar, “uma rotação completamente sobre si próprio é mais lenta do que o ano – uma rotação à volta do sol -, e a dinâmica da atmosfera é totalmente diferente da circulação atmosférica na Terra”.

A altura das nuvens em Vénus, cerca de 70 quilómetros de altitude, a circulação segue ao longo dos meridianos, até 60 graus de latitude e desce.

“A nossa ideia é desenvolver um método específico para conseguir medir o vento meridional, da célula de Hadley, usando o método de Doppler, usando um telescópio na Terra”, conclui o investigador.

Pedro Machado lidera o projeto de investigação, mas tem colaboradores em vários pontos do mundo, como Paris ou Japão.

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