Riscos tecnológicos e ambientais como principais riscos para as empresas portuguesas

A nível mundial, estas mesmas empresas consideram que os “ataques cibernéticos em grande escala”, “ataques terroristas em larga escala”, “eventos climáticos extremos”, “crises de água”, “crises fiscais e financeiras em economias chave” e “catástrofes naturais” serão as principais preocupações em 2018.

Versão para impressão

De acordo com o mais recente estudo “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos 2018” elaborado pela Marsh, líder mundial em consultoria de risco e corretagem de seguros, os riscos tecnológicos, assim como os ambientais, são aqueles que mais estão a preocupar as empresas nacionais. Este estudo, que se realiza pelo quarto ano consecutivo, tem como principais objetivos identificar os potenciais riscos que as empresas consideram que o mundo e elas próprias irão enfrentar e analisar a evolução do papel da gestão de riscos nas empresas portuguesas. Contou com a participação de 170 empresas, pertencentes a 22 sectores de atividade, com diferentes volumes de faturação, bem como de número de colaboradores. 82% das empresas respondentes não são cotadas em bolsa.

Este estudo nacional, realizado pela Marsh, pretende fazer uma ponte com o “Global Risks Report 2018”, desenvolvido pelo World Economic Forum e que contou com o apoio de parceiros estratégicos, como o Grupo Marsh & McLennan Companies.

Os resultados dos estudos “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos 2018” e do “Global Risks Report 2018” são apresentados hoje na Fundação Calouste Gulbenkian e revelam conclusões muito interessantes.

Estudo nacional “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos 2018”: Principais Riscos

De acordo com o presente estudo da Marsh, 65% das empresas portuguesas consideram que os “ataques cibernéticos em grande escala” são o principal risco que o mundo poderá vir a enfrentar em 2018, seguido de “ataques terroristas em larga escala”, com 42%. Em terceiro lugar, surgem os “eventos climáticos extremos” e “crises de água” com 39%; em quarto lugar com 31%, as“crises fiscais e financeiras em economias chave” e em quinto as “catástrofes naturais”, com 24%.

Quando analisamos a evolução dos resultados ao longo dos últimos 3 anos – 2016, 2017 e 2018, destaca-se a subida ao primeiro lugar do top dos “ataques cibernéticos em grande escala”; o reaparecimento dos “eventos climáticos extremos” no top 5, diretamente para a terceira posição; e as entradas diretas, pela primeira vez neste top, das “crises de água” e das “catástrofes naturais” para terceira e quinta posições.

No âmbito dos riscos que as empresas receiam vir a enfrentar no ano de 2018, os “ataques cibernéticos” é o risco com maior probabilidade de ocorrer, segundo 57% das empresas inquiridas, seguindo-se a “instabilidade política ou social”, com 40%. Em terceiro lugar os “eventos climáticos extremos” e a “retenção de talentos” com 32%. A “concorrência” e “roubo ou fraude de dados”, ocupam o quarto e quinto lugares, com 28% e 19%, respetivamente.

Neste caso, na evolução dos últimos 3 anos, as principais alterações de destaque são o desaparecimento, em 2018, da “crise financeira/crises fiscais” e dos “ataques terroristas” deste top5; a subida dos “ataques cibernéticos”; o aparecimento, pela primeira vez, dos “eventos climáticos extremos” e do “roubo ou fraude de dados” e o reaparecimento do risco de “retenção de talentos”, ausente desde 2015.

“O destaque dos riscos tecnológicos é um dos reflexos dos impactos que o mundo e as organizações viveram, com os ataques cibernéticos de 2017, como o WannaCry, bem como a divulgação de casos de roubo ou fraude de dados e a implementação em maio do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD)”, comenta Fernando Chaves, Especialista de Risco da Marsh Portugal.

Fernando Chaves, acrescenta ainda que “A tendência do aumento da preocupação relativa a riscos ambientais, aparece após um ano caracterizado pelo forte impacto de furações, temperaturas muito elevadas, como o quente verão que Portugal atravessou e com a longa e grave época de incêndios, seguidos da seca extrema e da crise de água.”

As Empresas Portuguesas e a Gestão de Riscos

O estudo nacional da Marsh vem demonstrar que as empresas portuguesas, em 2018, estão mais alerta para o papel que a gestão de riscos deve ter dentro das suas organizações; sendo que, 40% (face a 35% em 2017) afirma dar elevada importância a esta temática e 45% dar suficiente importância. Pela primeira vez, nos quatro anos em que a Marsh já realizou este survey, a possível opção “nenhuma importância” obteve 0% de respostas.

Em 2018, 41% das empresas respondentes afirmam ter aumentado o valor orçamentado para a gestão de riscos, o que representa uma evolução muito significativa quando comparada com 2017 e 2016, 28% e 24% respetivamente.

Rodrigo Simões de Almeida, Country Manager da Marsh Portugal, afirma que: “Este aumento exponencial na preocupação das empresas portuguesas sobre o papel da gestão de riscos deixa-nos muito satisfeitos. Uma eficiente gestão de riscos contribui, e muito, para o sucesso das empresas, estando estas mais preparadas para lidar com o mundo VICA- volátil, incerto, complexo e ambíguo.”

Comentários

comentários

Artigos relacionados