Med Summit 2017

Videojogo quer ajudar a descobrir cura para a doença de Alzheimer

Os jogadores estão a contribuir para a luta contra a doença de Alzheimer. Em seis meses, os investigadores conseguiram dados que demorariam 9400 anos a obter em laboratório.

Acredita Portugal

Versão para impressão
Desenvolvido pela Deutsche Telekom e pela Alzheimer’s Research UK, uma associação sem fins lucrativos que apoia a investigação nesta área, o jogo Sea Quest Hero já é considerado a maior investigação sobre demência alguma vez feita. Ao ajudarem um idoso, ex-explorador dos oceanos, a recuperar as suas memórias entre mares e pântanos, os jogadores forneceram dados equivalentes a 9400 anos de pesquisa laboratorial.

Até agora foi possível chegar à conclusão de que a capacidade de orientação espacial começa a perder-se após o início da idade adulta, que os homens têm um sentido de orientação ligeiramente melhor do que o das mulheres e que os países nórdicos superam todos os outros. Por outro lado, é nos países costeiros que estão os melhores navegadores.

Quem acede à aplicação para smartphones é convidado a viajar pelo mundo, perseguindo criaturas e recolhendo memórias. Durante o jogo, os dados de navegação espacial e sentido de orientação de cada jogador são recolhidos, de forma anónima, e depois combinados com os de outros jogadores, numa rede de dados.

Seis meses depois de ter sido lançado, os resultados preliminares do Sea Quest Hero foram apresentados na conferência Neuroscience 2016, em San Diego. A BBC indica que os investigadores da University College London acreditam que os resultados podem vir a ajudar a desenvolver novas formas de diagnóstico da demência.

A diferença entre homens e mulheres não é uma novidade. “E refere-se à maioria dos homens e à maioria das mulheres”, ressalva o neurologista Lopes Lima, em declaração ao Diário de Notícias, lembrando que há exceções. “Os homens geralmente têm mais capacidade para ler mapas e se orientarem, enquanto as senhoras têm maior aptidão para fazer coisas minuciosas, para serem mais rigorosas”, explica.

Enquanto o hemisfério esquerdo do cérebro “tem mais a ver com a linguagem”, o direito é “mais importante para a orientação espacial” e estes estão organizados de forma diferente entre homens e mulheres, o que explica as diferenças observadas no estudo.

Já no que diz respeito às capacidades dos nórdicos, o neurologista acredita que possam estar relacionadas “com a cultura viking, que é uma cultura de grande navegação e que naturalmente passou de pais para filhos”, mas diz que não tem uma base científica.

Para o neurocientista Hugo Spiers, da University College London, este jogo poderá, no futuro, ajudar a desenvolver um diagnóstico precoce de demências como a doença de Alzheimer e poderá ser usado em ensaios clínicos de medicamentos relacionados com a demência.

//www.seaheroquest.com/pt

Comentários

comentários

Premio Startup Montenegro 2017

Artigos relacionados