Voar sem medo

Para algumas pessoas uma experiência de voo pode ser um verdadeiro problema. Fique a saber como uns óculos de realidade virtual ajudam a superar a fobia de andar de avião.

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O VRCare é uma nova ferramenta para o tratamento das perturbações de ansiedade e surgiu quando o seu promotor, Filipe Freitas Pinto, médico de psiquiatria do Hospital de São João do Porto, começou a procurar soluções de realidade virtual que estivessem preparadas para ser utilizadas na prática clínica, ou seja, “um dispositivo que esteja desenvolvido à semelhança de um medicamento” onde “existe uma dose, uma posologia e efeitos expectáveis, desejáveis e indesejáveis”, mas não encontrou.

Ao perceber esta falha no mercado, decidiu levar a ideia aos colegas da empresa Iterar, Tiago Craveiro, Engenheiro de Gestão Industrial e Gestor de Projeto; João Magalhães e Tiago Alves programadores e Graduados em Medicina e André Sousa, programador e doutorado em Bioquímica, e assim nasceu este projeto.

Suficientemente pequeno e fácil de instalar em qualquer sala de consultas, esta tecnologia, que consiste nuns óculos de realidade virtual, visa levar até ao gabinete do psiquiatra ou do psicólogo “todos aqueles tratamentos que, de outra forma, só se fariam em situações no “mundo real” ou pelo esforço da imaginação” ou seja, “tratamentos incómodos e caros” e que por este motivo “chegam a pouca gente”. Assim com a possibilidade de trazer esta tecnologia para os consultórios, “estes tratamentos passam a ser mais acessíveis” e o clínico passa a ter uma ferramenta ao seu alcance, cuja utilização é “protocolada e o resultado é previsível” adianta o psiquiatra.

Na prática o VRCare em ambiente clínico proporciona uma experiência que, num primeiro contacto, é similar a um videojogo, com um cenário virtual, animado, em que toda a cena é muito realista. “No caso do protocolo para tratar o medo de voar de avião, o paciente vê, ouve e sente a vibração de um voo, tal como na vida real” explica. Mas não estamos a falar só de uma simulação, este sistema permite também reconhecer a ansiedade do paciente através de uma monitorização contínua dos seus parâmetros vitais.

Esta experiência de voo desenvolvida com um “detalhe exaustivo” vai sendo “automaticamente modificada para detetar e tratar o medo”. Assim e no decorrer deste processo, o clínico é capaz de acompanhar “vários parâmetros que ajudam a compreender a reação do paciente e a progressão do tratamento”.

O dispositivo, a interação entre os seus elementos e os próprios protocolos de tratamento reuniram a melhor evidência científica e já foram testadas todas as componentes tecnológicas inerentes ao sistema. O primeiro estudo piloto está programado para Setembro e irá realizar-se no Porto. Vai contar com voluntários e qualquer pessoa pode submeter os seus dados para análise na página do facebook ou site do VRCare. A sua implementação pode começar ainda em 2018, através da Voar Sem Medo e da VALK Foundation, na Holanda.

Além dos fundadores, a equipa conta ainda com a colaboração de vários peritos e consultores nas áreas da ciência e tecnologia. Tem trabalhado com a empresa portuguesa Voar Sem Medo, e com a empresa holandesa VALK Foundation. Desde abril deste ano que a VRCare integra o RESOLVE, um programa de ignição na área da saúde, desenhado para apoiar a transferência de conhecimento científico e tecnológico de projetos inovadores em estágio inicial, para o benefício do doente e dos profissionais de saúde. Desde que integrou o RESOLVE, a VRCare tem contado ainda com apoio de peritos em realidade virtual e em biossinais.

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