Da cidade-farol de Lisboa ao consumo inteligente: Projetos inovadores a nascer em Portugal

Um poste de iluminação a medir a qualidade do ar? Apoiar o consumidor na otimização dos seus consumos de eletricidade? Em Portugal as respostas para estas perguntas são dois projetos inovadores que contam com o apoio da Agência Nacional de Inovação (ANI) – o Sharing Cities e o EnAware.

Versão para impressão
Estamos no centro da cidade de Lisboa. O ano é 2020. Os carros elétricos marcam agora a paisagem da capital. Há postes de iluminação inteligentes, edifícios reabilitados de forma a maximizar a eficiência térmica e baixar consumos elétricos. São os resultados da “semente” lançada em 2016: o Sharing Cities, um projeto que surgiu no âmbito do Horizonte 2020, o Programa-Quadro da Comissão Europeia para financiamento à Investigação e Inovação.
Entre 2014 e 2016 o H2020 já disponibilizou cerca de 320 milhões de euros com o concurso Smart Cities and Communities e Portugal beneficia de mais de 7 milhões de euros para quatro projetos, sendo um deles o Sharing Cities.

O projeto propõe um novo modelo de gestão urbana sustentável. Uma das primeiras medidas desenvolvidas pelo consórcio de Lisboa foi a abertura do showroom Sharing Cities (Praça do Município, nº31) que, segundo a autarquia, pretende ser uma “mostra de como soluções práticas e equipamentos reais “Smart City” provocam impacto na vida das pessoas e vão de encontro às suas necessidades”.

Segundo João Caetano, Diretor de Políticas de Inovação do CEiiA, o Sharing Cities “está a desenvolver um mercado virtual de créditos ambientais nas três cidades” e por isso é um “desafio muito interessante porque permitirá que a plataforma de gestão de mobilidade desenvolvida por nós – o mobi.me – funcione como broker nesse mercado que terá na mobilidade elétrica o vetor mais dinâmico”.

Aproximar cidadãos, municípios, indústria e universidades das tomadas de decisão é um dos principais objetivos do projeto que, em Portugal, envolve a Câmara Municipal de Lisboa, o CEiiA (Centro para a Excelência e Inovação da Indústria Automóvel) e outros parceiros como a EMEL (Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa), a Lisboa E-NOVA, a EDP Distribuição, o Instituto Superior Técnico, a REABILITA e a PT Inovação e Sistemas.

A capital portuguesa, juntamente com Milão e Londres, é uma das cidades-farol deste projeto europeu. O programa inicial foi alargado para incluir três cidades-seguidoras: Bordéus, em França, Burgas, na Bulgária, e Varsóvia, na Polónia.

Gestão inteligente da energia

Bem-vindos à casa EnAware. Aqui é possível controlar os seus equipamentos elétricos ligados em rede, gerir consumos de energia, planear ações. Ficção? Nem por isso. Trata-se de um projeto bem real, desenvolvido por um consórcio formado pela Efacec, Associação Fraunhofer Portugal Research, Efapel e Bosch.

O projeto foi apoiado pela ANI e financiado no âmbito do Sistema de Incentivos à I&D do QREN, o Programa-Quadro nacional que vigorou entre 2007 e 2013.


O EnAware permite ao utilizador ter controlo sobre a instalação elétrica da casa e equipamentos

O investigador António Santos, da Associação Fraunhofer, considera que um dos impactos do projeto para os consumidores finais é o facto de “permitir ao utilizador ter um controlo avançado sobre a instalação elétrica da casa e equipamentos”. Por exemplo: “agendamento de tomadas, configuração de interruptores e operação remota de equipamentos como bombas de calor”.A solução desenvolvida no âmbito do EnAware permitirá melhorar de forma significativa as soluções atuais de gestão inteligente de perfis de carga de consumidores de baixa tensão. Por outro lado, permitiram também internalizar um conhecimento relevante na área dos sistemas de gestão de consumos domésticos, nomeadamente nos sistemas de comunicação e interface com os clientes.

Fernando Gomes, responsável do Departamento I&D de Sistemas Embebidos da UN Automação da Efacec, afirma que “o projeto EnAware permitiu, através da participação conjunta de várias competências da indústria e do sistema cientifico e tecnológico nacional e com o apoio do QREN, construir uma solução de gestão de energia doméstica (Home Energy Management System) que permite ao utilizador tomar consciência do consumo de cada equipamento e ajustar os hábitos por forma a racionalizar o consumo de energia”.

A Agência Nacional de Inovação já apoiou mais de 100 projetos com aplicação a tecnologias para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos onde participaram 54 empresas e 149 entidades do sistema científico e tecnológico nacional. O investimento envolvido ultrapassa os 100 milhões de euros e o apoio público é muito próximo dos 70 milhões.

Comentários

comentários

Artigos relacionados

Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saiba mais aqui.

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close