Triunfo Tangencial do Benfica Escuda Novo Ataque Feroz do FC Porto à Arbitragem
O Benfica garantiu uma vitória essencial, mas parca em espetáculo, na receção ao Famalicão. A contar para a 15.ª jornada da I Liga de futebol, um golo solitário de Pavlidis ditou o resultado de 1-0. Perto da passagem do minuto 34, o avançado grego assumiu a marcação de uma grande penalidade e não vacilou, faturando assim o seu 14.º tento na prova e cimentando o estatuto de melhor marcador do campeonato. Com este desfecho, a equipa encarnada cola-se provisoriamente ao Sporting na segunda posição. Somam agora os mesmos 35 pontos, ainda que o Benfica tenha um jogo a mais, ao passo que os minhotos estacionam no sexto posto com 23 pontos.
O Regresso de Sudakov e as Decisões do VAR Sob o comando de José Mourinho, o onze inicial encarnado apresentou novidades de vulto. Enzo Barrenechea, Prestianni e Sudakov regressaram à titularidade para colmatar as ausências forçadas de Leandro Barreiro e Samuel Soares, ambos a contas com lesões contraídas no triunfo gordo sobre o Moreirense. O internacional ucraniano Sudakov demonstrou serviço cedo, forçando Carevic a uma defesa de recurso logo aos 11 minutos. O guardião do Famalicão, que viria a evidenciar-se novamente perto da meia hora perante um remate de Dahl, não conseguiu, contudo, travar o lance capital do jogo.
Numa noite de frio cortante, a partida desenrolava-se a um ritmo muito morno, sobretudo por culpa da teia defensiva bem montada pelos forasteiros. Tudo mudou na sequência de um livre cobrado pelo ataque das águias. Otamendi subiu para o cabeceamento e acabou por ser atingido pelo cotovelo de Justin de Haas na dura disputa aérea. Após um momento de incerteza, Vasco Santos alertou a equipa de arbitragem a partir da Cidade do Futebol. O árbitro André Narciso deslocou-se ao monitor, descortinou a infração e apontou para a marca dos onze metros.
Gestão de Esforços Numa Segunda Parte Apática As equipas voltaram dos balneários sem que os treinadores sentissem necessidade de mexer nas pedras do tabuleiro. O reatamento expôs duas formações mais preocupadas com a disputa mastigada da posse de bola no meio-campo do que com a vertigem ofensiva. Uma arrancada perigosa de Dedic logo a abrir, com um remate a rasar o poste, e uma ameaça de Zabiri perto da hora de jogo foram os raros motivos de interesse apontados ao conjunto visitante. Pelo meio desta letargia, uma contrariedade obrigou à substituição do lesionado Tomás Araújo pelo central António Silva.
O Benfica nunca perdeu verdadeiramente as rédeas do jogo, mas faltava-lhe contundência no último terço. Aursnes ainda teve o golo da tranquilidade nos pés aos 65 minutos, após Prestianni aproveitar de forma exímia uma perda de bola de Gustavo Sá, só que Carevic agigantou-se e negou os festejos ao norueguês. As entradas tardias de Ivanovic e Rodrigo Rêgo para render Pavlidis e Sudakov deram um ligeiro e fugaz abanão no encontro, que rapidamente se desvaneceu até ao apito final.
Dragões Falam em Dualidade de Critérios O rescaldo da jornada nas esferas do futebol nacional ficou irreversivelmente marcado por declarações incendiárias oriundas do Norte. Tendo como rastilho a polémica anulação de um golo famalicense num embate recente frente ao Sporting, o FC Porto não poupou nas palavras. Através da newsletter oficial “Dragões Diário”, o clube portista acusou os grandes de Lisboa de serem carregados em ombros por erros de arbitragem, apontando o dedo ao líder leonino, Frederico Varandas, e ao seu treinador, Rui Borges.
A publicação ironizou com a atitude de Rui Borges, acusando o técnico de ter aprendido subitamente a usar as novas tecnologias ao recorrer a um tablet no banco para defender a existência de falta sobre Maxi Araújo. A cúpula azul e branca aproveitou ainda o momento para citar o presidente do Comité de Árbitros da UEFA, Roberto Rosetti. O dirigente europeu lembrou recentemente que o VAR foi desenhado para intervir exclusivamente em erros factuais e óbvios, criticando as intermináveis análises microscópicas em câmara lenta. Apoiado nestas declarações, o FC Porto insinua que as lideranças desportivas perderam o controlo da arbitragem, cujas decisões caem invariavelmente a favor de um rival proibido por decreto de perder pontos.
Impunidade Alheia e o Foco Portista na Madeira Subindo o tom da acusação, a missiva diária dos dragões expôs aquilo que consideram ser uma impunidade gritante nos relvados portugueses. Lembraram a controversa grande penalidade conquistada por Morten Hjulmand nos Açores após um leve toque no rosto, insinuando que tal teatro definiu o estranho novo padrão da arbitragem lusa. O documento do clube denunciou ainda outros casos de violência perdoados pelo Conselho de Disciplina. Esclareceram não se tratar das famosas ações intimidatórias de Matheus Reis com os apanha-bolas, mas sim de um violento pontapé na cabeça de um jogador do AVS por parte de outro atleta sportinguista, cujas imagens das bodycams dos árbitros parecem evaporar-se magicamente.
Perante o cenário descrito de uma autêntica “Santa Aliança” apostada em deitar abaixo a equipa nortenha a todo o custo, e perante o silêncio cúmplice da Segunda Circular, o FC Porto garante manter-se unido na sua caminhada. No relvado de uma tradicionalmente espinhosa deslocação à Madeira, o coletivo respondeu com sucesso. A equipa selou a sua 19.ª vitória em 22 jornadas com um cabeceamento fulminante de Jan Bednarek, a dar o melhor seguimento a um cruzamento de Gabri Veiga. O triunfo tornou-se particularmente simbólico e carregado de emoção para a legião de adeptos presente nas bancadas, uma vez que coincidiu com o primeiro aniversário da morte de Jorge Nuno Pinto da Costa. Uma figura incontornável que, sublinha o emblema portista, deixou avisos valiosos para as duras batalhas de bastidores que continuam a marcar o futebol português.









