A Movimentação Global: Venda da VodafoneZiggo e Recompra de Ações

O Grupo Vodafone continua a reajustar a sua estratégia a nível global. Num movimento de consolidação e reestruturação financeira, a gigante das telecomunicações decidiu vender a sua participação de 50% na VodafoneZiggo à Liberty Global. O negócio vai render mil milhões de euros aos cofres da empresa, garantindo ainda a manutenção de uma quota de 10% no Ziggo Group. Os mercados reagiram de forma bastante positiva a esta operação, com as ações da operadora a registarem uma subida imediata de 4%.

As manobras financeiras não se ficaram por aqui e estenderam-se ao reforço da própria estrutura de capital. A 18 de fevereiro de 2026, a Vodafone Group Plc concretizou uma compra de ações através da Goldman Sachs. Este passo fez com que as ações em tesouraria subissem para as 1 654 062 956, num universo total de 23 223 897 801 de ações ordinárias emitidas.

O Efeito DIGI e a Defesa do Mercado Português

Se no plano internacional as atenções estão viradas para reestruturações de capital, em Portugal a batalha da Vodafone trava-se no terreno das operadoras de baixo custo. A aguardada chegada da romena DIGI ao mercado nacional abalou o setor e forçou uma descida generalizada de preços. Para tentar reter e captar os clientes menos dispostos a arriscar na nova operadora, marcas como a Amigo, Woo e Uzo viram-se obrigadas a reajustar as suas ofertas. Como forma de testar o impacto desta nova realidade no dia a dia do consumidor, decidi avançar com a migração do meu serviço móvel.

A DIGI tem provado ser uma aposta ganha na internet fixa, serviço para o qual já tinha transitado com sucesso em casa. Contudo, as queixas recentes de vários utilizadores quanto a inconsistências na rede móvel deixaram-me de pé atrás. Viver na área metropolitana de Lisboa e utilizar o metro diariamente pesou bastante na decisão de não arriscar tudo nesta fase. A infraestrutura atual das restantes operadoras no metropolitano ainda barra a entrada da DIGI, limitando drasticamente a sua utilidade debaixo da terra.

A Escolha pela Amigo e a Logística de Adesão

Até ao final de dezembro, era cliente da Yorn. Pagava sensivelmente 16 euros mensais por um pacote com 60 GB de dados móveis. A alternativa mais lógica e segura acabou por recair na Amigo, essencialmente por uma questão de comodidade. Sabia de antemão que a rede móvel da Vodafone funciona de forma impecável pelas zonas onde circulo, mantendo inclusive a cobertura 5G na maioria delas.

Aproveitei a manhã em que a Amigo atualizou os seus tarifários para o valor de combate de 5 euros mensais, com direito a 100 GB de dados, e fiz o pedido de adesão. O processo logístico decorreu com grande rapidez. O cartão físico chegou à minha caixa de correio ao fim de três dias e tratei de devolver o email com os dados solicitados na mesma tarde. A partir desse momento, a desativação do antigo cartão da Vodafone levou entre dois a três dias. Bastou introduzir o novo cartão no smartphone para começar a utilizar o serviço.

Compromissos e Limitações Técnicas

Na prática, o serviço tem-se comportado perfeitamente dentro do esperado. A cobertura de rede mantém exatamente os mesmos padrões de qualidade a que a operadora principal já me tinha habituado. No entanto, esta redução brutal na fatura mensal traz algumas contrapartidas técnicas que devem ser ponderadas pelos utilizadores mais exigentes.

Aderir à Amigo significa aceitar um teto máximo na velocidade da internet móvel. Os downloads estão limitados a cerca de 150 Mbps e os uploads não ultrapassam a marca dos 50 Mbps. Importa clarificar que esta é a velocidade máxima garantida, mesmo quando o equipamento está ligado ao 5G. Não sinto que este limite prejudique em nada a minha navegação diária, mas existem outras ausências tecnológicas de peso na operadora: o tarifário não suporta a tecnologia VoWIFI nem permite, pelo menos para já, a utilização de cartões eSIM. São pequenos detalhes que justificam a descida do preço, mas que não mancham a experiência geral.

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