Blockchain enquanto futuro da Energia Verde

Nos últimos anos, a descentralização da rede tornou-se num tópico de interesse, sobretudo devido à necessidade de se encontrar uma alternativa às entidades centralizadas.

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por Aleksandra Krivoglazova

 

Entre os inúmeros desafios impulsionados pela constante revolução tecnológica e pela necessidade de se continuar a garantir o melhor preço e qualidade aos consumidores, as comercializadoras de energia definiram novas medidas de forma a conduzirem todo o setor em direção a um futuro mais inovador e de acordo com as novas tendências.

Se, atualmente, a produção e o fornecimento de eletricidade tradicional ainda se encontram num sistema centralizado, no qual existem grandes geradores de energia a fornecerem a maior parte da eletricidade produzida, esta situação está prestes a mudar. Com o aumento da adoção de sistemas de micro geração, onde os produtores domésticos de energia assumem um papel mais ativo, em vez do atual sistema centralizado, os consumidores que possuem unidades de micro geração poderão assim vender o seu excedente energético numa rede “peer-to-peer” a outros participantes da plataforma.

Deste modo, as pessoas que vendem a sua própria eletricidade poderão ser mais do que simples consumidores – serão também ativos produtores em pequenas escala mas que, de forma distribuída, totalizarão uma grande parte da produção de energia elétrica. São os “prosumers”, anglicismo que define aquele que produz e consome um determinado produto. Em vez de comprar a energia elétrica a um único fornecedor, os consumidores comprarão e venderão eletricidade num mercado aberto, trocando essencialmente o seu fornecedor de energia de minuto a minuto. Isto é, os indivíduos poderão comprar eletricidade dependendo das suas preferências pessoais, como, por exemplo, a distância ao gerador de energia, o tipo de gerador ou apenas a questão monetária (preços mais atrativos).

Nos últimos anos, a descentralização da rede tornou-se num tópico de interesse, sobretudo devido à necessidade de se encontrar uma alternativa às entidades centralizadas. Por exemplo, esta última exige uma autoridade central para lidar com as contas e os pagamentos, logo, a disponibilidade e a confiabilidade do sistema estão comprometidas se o mesmo falhar. Ao invés de se comunicar com um único servidor, que coleta e assuma uma gestão centralizada, é desejada uma abordagem “peer-to-peer” para fornecer decisões descentralizadas. A tecnologia blockchain poderá ser uma solução para a implementação deste tipo de abordagem.

Para tal, a introdução da tecnologia de blockchain poderá estimular o fortalecimento da tendência atual – aumentando o papel dos consumidores que atuam simultaneamente como produtores. Esta tecnologia poderá permitir a redução dos custos de transação e, ao mesmo tempo, simplificar o processo de cobrança, permitindo que pequenos fornecedores ou consumidores de eletricidade se tornem os participantes principais do mercado. Por sua vez, os consumidores que possuam os seus próprios sistemas de energia solar, poderiam de forma mais fácil vender o seu excedente energético aos vizinhos ou fornecer à rede. Desta forma, será possível melhorar a viabilidade económica dos sistemas de energia solar, o que levará a um aumento do número de produtores/consumidores.

Por outro lado, os contratos inteligentes são “fragmentos do código” que implementam as regras de negócio que precisam ser verificadas e acordadas por todos os intermediários da rede, possibilitando controlar o funcionamento das redes de eletricidade, sendo que estes proporcionarão ao sistema um sinal sobre quando será necessário iniciar as transações. O sistema funcionará de acordo com regras pré-estabelecidas, cujo objetivo será assegurar que o controlo de todos os fluxos de eletricidade destinados à transmissão e armazenamento sejam realizados em modo automático, de forma a equilibrar a procura e a resposta. Por exemplo, sempre que os volumes de eletricidade produzida excedam os requisitos existentes, os contratos inteligentes podem ser usados de forma a garantir que o excedente energético seja automaticamente enviado para unidades de armazenamento. Por outro lado, a energia armazenada poderá ser usada quando a quantidade de eletricidade produzida não é suficiente. Assim, os contratos inteligentes podem ser usados no equilíbrio da oferta e da procura e monitorizar o funcionamento das centrais virtuais.

Por fim, um dos exemplos interessantes de aplicação de blockchain para o setor de energia é WePower – uma plataforma de negociação baseada nesta tecnologia que permite que os produtores de energia renovável obtenham capital através da emissão de tokens de energia, sendo que estes representam a energia disponível que eles têm para produzir. Desta forma, a plataforma de tokenização de energia WePower tornará os mercados de energia verde globais e mais amplos aos investidores, ao longo do tempo. No entanto, a plataforma é aberta e não é controlada por qualquer entidade centralizada. A WePower mudará o mercado de energia renovável, conectando os produtores de energia limpa diretamente com os domicílios e investidores.

Dado que permitirá que produtores de energia renovável obtenham capital através da emissão de tokens, estes poderão negociar diretamente com os compradores de energia, vendendo antecipadamente abaixo das taxas de mercado. A WePower está diretamente integrada na rede, proporcionando uma contabilidade energética transparente e serviços de utilidade digital da nova geração. Atualmente, encontra-se numa fase piloto um projeto de tokenização de dados de energia a nível nacional na Estónia.

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